EXPLICATUDO

EXPLICATUDO

ORIGENS DA PSICOLOGIA

ORIGENS DA PSICOLOGIA


A questão da psicologia, em termos mais consequentes, foi inicialmente levantado por Aristóteles que abre os olhos sobre o mundo da natureza e que, no seu esforço de ciência universal, considera a psicofisiologia ao lado da fisiologia e da física e recolhe grande número de factos que serão mais tarde retomados pela psicologia científica. Aristóteles e a sua escola dirigida por Teofrasto foram os primeiros autores de obras reconhecidas como sendo de Psicologia.


O " De Anima" e " Parva Naturalia ", ambos de Aristóteles, ainda que incluídos em termos sistemáticos dentro da Filosofia, acompanham-se de três livros de Biologia ( Historia Animalum, de Partibus Animalum e De Generatione Animalum ) , para se constituírem como o capítulo mais expressivo sobre Psicologia e Biologia ( e natureza relacionada ) onde se encontra expressa a dificuldade que os Gregos sentiram para se embrenharem no estudo da alma ( espírito ) separando-a do corpo ( físico / natural ) o que não conseguiram aliás, conforme se verá.


O termo " Psyché " ( do qual não será difícil inferir a origem da palavra psicologia – conhecimento da psique ) é um termo que em grego é usado para designar todos os poderes que os animais e as plantas ( seres vivos ) possuem, poderes esses que não possuem os elementos inanimados.


A correspondência entre o material ( corpo ) e o espiritual ( psique ) não está estabelecida como sendo uma relação imediata, uma vez que um outro termo, " Nous", que designa " Intelecto" e " Razão " se interpõe neste processo relacional, ou faz culminar o mesmo, vindo levantar questões sobre as relações entre a psique e o corpo e entre o Nous e a Psique nos seres racionais. Este problema põe-se exclusivamente entre a Psique e o Nous nos seres racionais, embora, e curiosamente, o Aristotelismo considere que os animais inferiores podem ser considerados possuidores em graus variáveis de Nous.


Mas a afirmação central de Aristóteles no De Anima ( Tratado da Alma ) é que a Alma e o Corpo são dois aspectos de uma mesma substância, estando um para o outro numa relação semelhante à forma e à matéria, ou seja, a Alma será a plástica continente/ / modeladora do Corpo. Por isso mesmo, e segundo este autor, a investigação da Alma é tarefa da Ciência e que nela ( ciência ) devem ser observados o corpo e a alma conjuntamente. O opúsculo, também de Aristóteles, De Parva Naturalia dedica-se a questões psicológicas especializadas tais como a sensação, a memória, o sono, os sonhos, etc.


1-Primeiros Fundamentos da Ciência Psicológica


O conceito mais comum que se poderá aplicar ao entendimento da psicologia como ciência é aquele que releva dos cientistas físicos, ou seja, o entendimento de que esta se regula por um conjunto de leis obtidas por método indutivo ( do singular para o plural ) das quais se extraem conclusões gerais no momento dedutivo, e esta afirmação, condicionada pelo restante do trabalho será o princípio sistemático que entronca com a Psicologia como Ciência defendida por Wundt, ou seja, a Psicologia Experimental nos alvores da mesma enquanto ciência.


Antes de Wundt, e através do desenvolvimento da filosofia empirista, o método experimental é considerado válido tanto para a Psicologia como para todos os outros ramos do conhecimento, ( Hobbes, Locke, Hume, Reid, Hamilton, Stuart Mill ) , mas, embora se estabeleçam as leis da associação de ideias, a psicologia não se liberta da filosofia.


Locke ( 1632-1704 ) ao sublinhar o papel que desempenham as impressões sensoriais para o desenvolvimento da nossa experiência, imaginou simultaneamente o espírito da criança como uma folha de papel em branco ( tábua rasa ) na qual são registadas as experiências, ideia esta que percorre todo o materialismo / empirismo, quer como a tábua rasa referida, quer como tábua de cera ( na qual se escreve ) nos Gregos ( Epicuro ), quer como jarro vazio a encher como refere Bachelard, quer, como cérebro incompleto como refere Alfred Korzybsky em " Science and Sanity".


Hume, por sua vez ensinou que as representações eram imagens das impressões sensoriais e se encontravam ligadas umas ás outras com base em leis mecânicas funcionais. Continuando o pensamento de Aristóteles formulou as leis da associação do contacto espaço – tempo, da semelhança, do contraste e da casualidade. Esta doutrina não só influenciou em extremo a Psicologia como muitos dos seus representantes reivindicaram até aos nossos dias, para este princípio do pensamento, um tal direito de exclusividade que no período posterior a Wundt se travaram vivas discussões sobre a Psicologia Associonista.


Para Kant, que atribui à Ciência o seu lugar no sistema do conhecimento, não há psicologia científica possível enquanto tal e o positivismo de August Comte, deixa o fenómeno da consciência fora dos grandes ramos do saber, pois nele o social sobrepõe-se directamente ao biológico.


A filosofia não deixou de discutir o problema metodológico da psicologia, procurando saber em que medida o fenómeno da consciência é acessível ao método experimental, indagando da natureza das relações entre a série dos acontecimentos subjectivos ( aqueles que o próprio indivíduo conhece por introspecção ) e os acontecimentos objectivos ( conhecidos por intermédio dos órgãos dos sentidos, tanto pelo próprio como pelos outros ) e adiando por vezes a solução definitiva do problema, contentando-se em afirmar a existência de um paralelismo psicofisiológico.


Durante estas discussões foi-se entretanto construindo a Ciência Psicológica, que desde há muito se vinha indirecta e directamente elaborando, de uma forma cada vez mais independente da especulação filosófica, e, não foram nem os médicos nem os cientistas da natureza ( preocupados na altura com sistemas e métodos explicativos e não com métodos compreensivos ) mas sim os físicos que estiveram directamente ligados à constituição da Psicologia enquanto Ciência independente da filosofia.

Foi com estes investigadores, habituados ás experiências do método científico que a experimentação passou dos fenómenos exteriores aos processos mentais implicados pelo conhecimento desses fenómenos. Esta relação não foi no entanto desde logo reconhecida pois durante muito tempo os físicos julgaram estar a estudar fenómenos físicos quando afinal faziam incidir as suas observações nos fenómenos psicofisiológicos que esses processos sumariamente considerados físicos provocavam. O estudo do som e da luz levaram ao estudo da audição e da visão, por exemplo.


Mas um dos principais impulsos para o procedimento empírico em Psicologia proveio da Charles Darwin ( 1809-1882) o fundador da moderna genética e da hereditariedade. Ernest Hilgard ( citado por Charlotte Buhler ) aponta estas influências no estudo sobre " A Psicologia Após Darwin " atribuindo à influência deste a Psicologia do Desenvolvimento e a Psicologia Animal, o estudo da expressão dos movimentos afectivos, a investigação das diferenças entre os diversos indivíduos, o problema da influência da hereditariedade em comparação com a do meio ambiente, o problema do papel da consciência e, logo a seguir, o estudo experimental de funções anímicas e a introdução do princípio quantitativo da investigação.



21/12/2007
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